A maré manda no roteiro — não o calendário
O litoral de Alagoas é protegido por uma barreira de arrecifes paralela à costa. Quando a maré baixa, a água recua e o topo dos recifes aflora, prendendo a água do mar em depressões rasas e transparentes: são as piscinas naturais. Na maré alta tudo desaparece sob a água e o passeio perde o sentido.
Consequência prática: Pajuçara, Ponta Verde, Paripueira, Maragogi, Patacho, São Miguel e o Gunga só entregam o que prometem na maré baixa. A faixa ideal é entre 0,0 m e 0,6 m; abaixo de 0,3 m é excelente. Maragogi, por norma, só opera com maré máxima de 0,6 m.
As melhores marés acontecem em torno da lua cheia e da lua nova, cerca de duas semanas por mês. Consulte a tábua oficial do Centro de Hidrografia da Marinha para o Porto de Maceió antes de comprar a passagem, não depois.
No litoral alagoano, o inverno é a estação chuvosa
Isso inverte o padrão do Sudeste e pega muita gente de surpresa. O pico de chuva em Maceió é em junho (181 mm) e julho (173 mm), plena estação de inverno. O período mais seco é novembro (44 mm) e dezembro (42 mm), no verão.
A causa são as ondas de leste e o posicionamento do Anticiclone do Atlântico Sul, que trazem umidade oceânica ao litoral no outono e no inverno — regime diferente do que rege o Sudeste no verão.
Julho é o pior mês possível: junta o pico de chuva com as férias escolares. Você paga preço de alta temporada e ainda arrisca perder os passeios de barco por mar agitado. A melhor janela é outubro a dezembro: seco, sem ser alta temporada.
O afundamento do solo não afeta a zona turística
Décadas de mineração de sal-gema pela Braskem criaram cavidades instáveis sob os bairros do Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto. Cerca de 60 mil pessoas foram removidas e mais de 14 mil imóveis foram atingidos (Ministério Público Federal, março de 2026).
A orla hoteleira e as praias estão fora da área de risco e operam normalmente — Pajuçara, Ponta Verde, Jatiúca, Cruz das Almas. As áreas interditadas têm acesso restrito e vigiado, e o turista não entra nelas por acaso.
Duas observações honestas: não faça turismo de desastre nos bairros evacuados — é desrespeitoso com quem perdeu a casa, e o acesso é controlado. E lembre que a crise redesenhou o mercado imobiliário da cidade: comparações de preço com dados anteriores a 2018 não valem mais.