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VIAGEM NA LUPA

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Roteiro dia a dia

Roteiro de 5 dias em Montevidéu

Cinco dias por região — e na ordem que resolve o quebra-cabeça de dias da semana que Montevidéu impõe a quem não o conhece.

O quebra-cabeça, e por que ele decide tudo

Montevidéu tem duas obrigações de dia da semana que se repelem, e é isso que torna o roteiro daqui diferente do de qualquer outra cidade deste site.

A viagem precisa pegar uma quarta-feira. A visita guiada do Teatro Solís custa $U 400 para estrangeiro — o dobro dos $U 200 que um uruguaio paga — mas na quarta é gratuita para todo mundo, às 11h, às 12h e às 16h, em espanhol, inglês e português. É a maior economia de escolha da viagem, e ela existe num único dia da semana.

E precisa pegar um domingo. A Feria de Tristán Narvaja, de 1909, acontece só aos domingos, das 9h às 16h, nas ruas do Cordón. Não é questão de chegar no horário: se a sua semana não tem domingo, ela não existe.

Mas o domingo fecha duas coisas. O Museo Torres García não abre aos domingos, e o Palacio Legislativo só recebe visita de segunda a sexta. Ou seja: o dia que você precisa ter é também o dia que tira dois pontos do mapa.

E a segunda-feira fecha outras duas. O Castillo Pittamiglio e o Museo Nacional de Artes Visuales fecham os dois às segundas. Não existe um único dia da semana em que tudo esteja aberto em Montevidéu — por isso a ordem abaixo começa numa quarta e termina num domingo.

Nenhum dia cruza a cidade. Ciudad Vieja, Centro com Parque Batlle, Parque Rodó com a Rambla, Punta Carretas e Pocitos, e o Cordón. Montevidéu é compacta, e desperdiçar ônibus aqui é desperdiçar o dia.

Carregue o cartão STM antes de tudo

Não há metrô em Montevidéu — tudo é ônibus. A viagem de uma hora custa $U 52 com o cartão STM carregado e $U 64 pagando em dinheiro a bordo: 23% a mais por não ter o cartão. O boleto de duas horas sai a $U 78 com cartão.

Em cinco dias, a duas viagens por dia, a diferença passa de $U 120 — mais que a entrada do Museo Torres García. É a primeira coisa a resolver ao chegar.

Dia 1

Ciudad Vieja — e que seja uma quarta-feira

O dia mais denso e o mais barato, por causa de um detalhe de calendário. Comece no Teatro Solís às 11h: na quarta a visita guiada é gratuita, e nos outros dias custaria $U 400 sendo você estrangeiro. São três horários — 11h, 12h e 16h — e três idiomas. Compra-se só na bilheteria do teatro, em pesos, dinheiro ou cartão. Saindo dali você já está na Plaza Independencia, que é de graça e não fecha, com o Mausoléu de Artigas embaixo dela. No número 846 da mesma praça fica a entrada do Palacio Salvo: $U 400, visita de 45 minutos, de hora em hora, e o bilhete inclui o Museo del Tango “La Cumparsita” — dois pontos por um preço, o que quase ninguém percebe. Eles aceitam peso, real e dólar. Desça depois a peatonal Sarandí até o número 683, onde está o Museo Torres García, $U 100 para estrangeiro e $U 50 para residente, aberto de segunda a sábado até as 18h. Feche no Mercado del Puerto, que não cobra entrada: você só paga o que comer. A melhor hora ali é entre 11h30 e 15h, mas como o resto do dia é de manhã, deixe para o fim da tarde e aceite que estará mais calmo.

Teatro Solís · grátis na quarta · $U 400 nos outros diasPlaza Independencia · grátis, 24 horasPalacio Salvo · $U 400, inclui o Museo del TangoMuseo Torres García · $U 100, fecha domingoMercado del Puerto · entrar é grátis
Dia 2

Centro e Parque Batlle — só de segunda a sexta

Dia amarrado por um horário que não se negocia. O Palacio Legislativo recebe visita guiada de segunda a sexta, às 11h e às 16h, em espanhol, inglês e português, e custa $U 390 — que é o único preço desta lista igual para estrangeiro e residente. Esse horário vale desde 16 de março de 2026. Não abre fim de semana, e é por isso que este dia não pode ser sábado nem domingo. Escolha o turno das 11h, porque ele deixa a tarde livre. De lá, siga para o Estadio Centenario, no Parque Batlle, onde funciona o Museo del Fútbol, embaixo da Tribuna Olímpica — o estádio da primeira Copa do Mundo, de 1930. Abre de segunda a sábado das 10h às 17h e domingo das 11h às 15h. Mas fecha em dia de jogo, e o Centenário é casa de clube e de seleção: confira o calendário antes de atravessar a cidade. E há uma ressalva honesta sobre o preço: não conseguimos confirmar quanto custa. Uma fonte diz $U 100, outra diz $U 350 incluindo a arquibancada, e o site do estádio não publica valor nenhum — só um e-mail de contato. Leve dinheiro e pergunte na hora.

Palacio Legislativo · $U 390, seg a sex, 11h e 16hEstadio Centenario · Parque BatlleMuseo del Fútbol · preço não confirmado · fecha em dia de jogo
Dia 3

Parque Rodó e a Rambla, o dia de graça

O dia sem bilheteria. O Museo Nacional de Artes Visuales fica na avenida Tomás Giribaldi 2283, dentro do Parque Rodó, tem mais de sete mil obras com forte presença de autores uruguaios, e a entrada é gratuita. Abre de terça a domingo, das 13h às 20h — repare no horário incomum: ele só começa à tarde, então não adianta ir de manhã, e fecha às segundas. Use a manhã para a Rambla, que é o calçadão de beira-mar que atravessa a cidade inteira, não fecha nunca e não cobra nada. Do Parque Rodó dá para seguir a pé pela orla em direção a Pocitos, e é a caminhada que mais mostra como Montevidéu vive de frente para a água. É também o dia mais fácil de trocar de lugar no calendário, porque nada aqui depende de dia da semana além do fechamento de segunda.

Museo Nacional de Artes Visuales · grátis, ter a dom, 13h às 20hParque Rodó · grátisRambla · grátis, 24 horas
Dia 4

Punta Carretas e Pocitos — melhor num sábado

O Castillo Pittamiglio, na Rambla Mahatma Gandhi 633, é a casa do arquiteto alquimista Humberto Pittamiglio, e custa $U 300. Ele abre de terça a domingo — fecha segunda — mas o horário muda conforme o dia: terça a sexta das 11h às 17h, sábado e domingo das 15h30 às 19h30. E a visita guiada só acontece no sábado às 16h e no domingo às 16h e às 18h. Nos outros dias você entra, mas percorre sozinho. Como o domingo já está tomado pela feira, o sábado às 16h é a única janela do roteiro com guia. Menor de 6 anos não paga. O percurso passa pelas galerias, pelo jardim, pelo labirinto dos aposentos privados e pelo espaço “Infinitum”. Depois, a Rambla continua ali mesmo, e Punta Carretas e Pocitos são os bairros de orla onde a cidade é mais caminhável.

Castillo Pittamiglio · $U 300 · guiada sáb 16hRambla de Punta Carretas · grátisPraia de Pocitos · grátis
Dia 5

Cordón, e tem de ser domingo

O dia mais leve de propósito, porque o domingo fecha boa parte dos museus da cidade — e porque o que existe nele não existe em nenhum outro. A Feria de Tristán Narvaja começou em 1909 vendendo fruta e verdura e virou uma feira que ocupa dezenas de quarteirões do Cordón. Funciona só aos domingos, das 9h até por volta das 16h, e não se paga nada para andar por ela. Vende-se massa fresca para o almoço de domingo, livro usado, disco de vinil, fita cassete, relíquia, peça de reposição, móvel e bicho. Vá cedo: às 9h ela ainda está se montando e dá para andar; ao meio-dia é multidão. Depois, a cidade está desacelerada e a Rambla continua aberta, como sempre. Se o seu voo é neste dia, é o dia certo para ele — a feira fecha às 16h e nada mais depende de horário.

Feria de Tristán Narvaja · grátis, só domingo, 9h às 16hRambla · grátis, 24 horas

Apuração de 16 de setembro de 2026. Fontes: site oficial do Teatro Solís e portal da Intendência de Montevidéu para a visita guiada e a gratuidade de quarta; Parlamento do Uruguai para o Palacio Legislativo; Museo Nacional de Artes Visuales; portal da Intendência para a Feria de Tristán Narvaja; e a Intendência de Montevidéu para as tarifas do Sistema de Transporte Metropolitano, em vigor desde janeiro de 2026. Os horários citados são os publicados por cada ponto na data da apuração — confirme antes de sair, e com atenção redobrada em Montevidéu, onde cada dia da semana fecha alguma coisa diferente. Onde a fonte não publica o dado, a página diz que não publica em vez de estimar: é o caso do preço do Museo del Fútbol, em que duas fontes não oficiais divergem entre $U 100 e $U 350, e da diária média de hospedagem, que nenhum órgão uruguaio divulga.