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VIAGEM NA LUPA

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Roteiro dia a dia

Roteiro de 6 dias em Lisboa

Seis dias agrupados por região, para não atravessar a cidade duas vezes no mesmo dia — e na ordem que desvia dos dias em que cada ponto fecha.

As regras que sustentam esta ordem

Nenhum dia cruza a cidade. Cada dia fica dentro de uma região: Baixa e Cais do Sodré, Belém, castelo e Alfama, a serra de Sintra, Cascais e o Cabo da Roca, Avenidas Novas e Parque das Nações.

O dia 2 não pode ser segunda-feira. É a regra mais dura do roteiro. Em Belém, o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém e o Museu dos Coches fecham os três na segunda — só o Padrão dos Descobrimentos abre. Uma segunda em Belém é um dia de quatro pontos reduzido a um. Se a sua segunda for inevitável, troque o dia 2 pelo dia 1 ou pelo dia 5, que não têm fecho semanal.

O dia 6 não pode ser terça-feira. O Museu Calouste Gulbenkian fecha às terças, e esse é o erro clássico de quem monta roteiro em Lisboa contando com o padrão de segunda. Se puder, faça esse dia num sábado: é a única noite da semana em que o museu abre até as 21h. O jardim da Fundação, esse, é gratuito e abre todos os dias — numa terça você ainda entra no parque, só não nas galerias.

A Pena manda na hora do dia 4. O bilhete tem hora marcada e o texto oficial da Parques de Sintra é literal: “não existe tolerância de atraso”. Perdeu a hora, perdeu o bilhete, sem reembolso e sem remarcação. E a hora é a da entrada no palácio, não no parque — a própria casa manda contar cerca de 30 minutos entre um portão e o outro. Se a sua hora é 10h, esteja no parque às 9h30.

A bilheteira dos Jerónimos fecha às 16h30, uma hora antes do monumento. Chegar às 16h45 achando que dá tempo é o erro mais banal de Belém. Some a isso o teto de 900 visitantes por dia da Torre de Belém, que é limite rígido e não fila: quando acaba, acabou. O bilhete da torre também se vende na bilheteira dos Jerónimos — resolva os dois de uma vez, logo cedo.

Entre julho e setembro, cheque a serra na véspera. Quando o Governo declara Situação de Alerta e manda fechar o perímetro florestal da Serra de Sintra, fecham quatro monumentos de uma vez: Pena, Castelo dos Mouros, Monserrate e Convento dos Capuchos. Aconteceu em agosto de 2025, com prolongamentos sucessivos por cerca de duas semanas. Não é cautela exagerada — é o precedente.

Zapping, não passe diário. A viagem com o cartão Navegante carregado custa € 1,72, e a dois trajetos por dia isso sai bem abaixo dos passes de 24 horas que apuramos (€ 10,35 com barco, € 11,40 com comboio). O suporte físico do cartão custa € 0,50, pago uma vez, e cada pessoa precisa do seu.

Duas notícias que reescrevem qualquer roteiro anterior a 2026

Os ascensores históricos estão parados, o Santa Justa incluído. Depois do descarrilamento do Ascensor da Glória em 3 de setembro de 2025, a Carris suspendeu todos. Um ano depois, só o Funicular da Graça, o 55E, voltou — desde 30 de abril de 2026, das 9h às 17h, 14 pessoas por viagem. Ele é útil e está no dia 3. A Bica, o Lavra e o Santa Justa seguem fechados sem data.

O elétrico 28 está cortado. Desde 24 de agosto de 2026 ele só circula entre Graça e Prazeres; o trecho de Martim Moniz até a Graça é feito por autocarro, com integração tarifária no transbordo. Se o seu plano era pegar o 28 em Martim Moniz, esse plano não existe hoje — comece na Graça. A Carris não publicou data de término.

Dia 1

Baixa, Praça do Comércio e Cais do Sodré

O dia de chegada, de propósito: nada aqui tem bilhete com hora marcada nem dia de fechamento, então ele aguenta atraso de voo. Desça no metrô Terreiro do Paço, na Linha Azul — esta é uma das raras estações de Lisboa em que você emerge dentro do ponto turístico, a saída abre direto na praça. Vá até o Cais das Colunas, na beira do rio, e depois atravesse o Arco da Rua Augusta em direção à Baixa. Subir ao mirante do arco é pago, e aqui somos francos: o preço não está publicado em fonte oficial nenhuma. Leve cartão e confirme na bilheteira. Suba a Rua Augusta até o Largo do Carmo — é de graça, e é onde a passagem superior do Elevador de Santa Justa desemboca. O elevador está fechado, e o largo é o andar de baixo do que o bilhete comprava. Feche o dia no Time Out Market, em Cais do Sodré: entrar não custa nada, os pratos vão de € 6,50 a € 18,40, não há reservas e as mesas são comunitárias, por ordem de chegada. Cada banca tem horário próprio de cozinha, que fecha antes do mercado — e as duas páginas oficiais do próprio Time Out divergem no horário de fecho. Se o seu plano depende de estar lá depois da meia-noite, assuma o horário mais curto.

Praça do Comércio · grátis, 24 horasCais das Colunas · grátisArco da Rua Augusta · pago, preço não publicadoLargo do Carmo · grátisTime Out Market · entrar é grátisMetrô Terreiro do Paço, Linha Azul
Dia 2

Belém, o conjunto monumental — nunca numa segunda

O dia mais caro e o mais amarrado por horário. Não há metrô em Belém, e isso surpreende quase todo mundo: vá de elétrico 15E, da Praça da Figueira, que tem paragem de nome literal, “Mosteiro Jerónimos”. Comece pelo mosteiro, logo na abertura, às 9h30. A parte paga é o claustro, € 18, não a igreja — a portada sul enorme leva à igreja, que é gratuita, e quem entra só por ali sai achando que viu o mosteiro. Compre na mesma bilheteira o bilhete da Torre de Belém, que é o truque logístico do dia. A torre custa € 15, entra por sessões de 30 em 30 minutos e tem teto de 900 pessoas no dia; são 93 degraus em escada de caracol, sem elevador. Entre os dois fica o Padrão dos Descobrimentos, € 10 com o mirante ou € 5 só a exposição, e é ele que abre todos os dias. Termine no Museu Nacional dos Coches, € 15, de terça a domingo das 10h às 18h — com a ressalva de que o Picadeiro Real está fechado desde setembro de 2025, sem previsão. Os Pastéis de Belém ficam na mesma calçada, na Rua de Belém 84 a 92, abertos todos os dias das 8h às 21h.

Mosteiro dos Jerónimos · € 18, bilheteira fecha 16h30Torre de Belém · € 15, teto de 900 por diaPadrão dos Descobrimentos · € 10, abre todo diaMuseu Nacional dos Coches · € 15, fecha segundaPastéis de Belém · 8h às 21hElétrico 15E, paragem Mosteiro Jerónimos
Dia 3

Castelo, Alfama e o elétrico 28

Suba cedo ao Castelo de São Jorge, € 17 — e repare que a gratuidade para quem mora em Lisboa acabou. Abre todos os dias, das 9h às 21h de março a outubro e das 9h às 18h no resto do ano. A armadilha não é o portão: os adarves e as torres fecham antes do monumento, entre as 18h e as 21h no verão conforme a luz, e às 17h30 no inverno. Entrar às 19h30 em agosto com bilhete válido pode significar encontrar a muralha já fechada. Compre online antes de subir, não para garantir lugar, mas porque há duas entradas — a de quem comprou online costuma estar vazia enquanto a outra tem fila, e o castelo não avisa isso no local. Desça pelas Portas do Sol e por Santa Luzia, os miradouros de Alfama, que são de graça e não fecham. Para chegar à Senhora do Monte, use o Funicular da Graça, o 55E, o único ascensor de Lisboa a funcionar: das 9h às 17h, € 4,30 até duas viagens e grátis com passe Navegante — e quem tem passe embarca primeiro. É da Graça que você pega o elétrico 28, porque o trecho de Martim Moniz está cortado. O 12E faz o mesmo troço Graça–Sé–Chiado e costuma ir bem mais vazio. Uma regra nova de 2026 vale saber: desde fevereiro, Lisboa proíbe a venda de bebida alcoólica para consumo na rua das 23h às 8h. Depois das 23h você não compra a cerveja para levar ao miradouro.

Castelo de São Jorge · € 17, adarves fecham antesPortas do Sol e Santa Luzia · grátis, 24 horasFunicular da Graça 55E · € 4,30, 9h às 17hSenhora do Monte · grátis, 24 horasElétrico 28 · € 1,72, hoje só de Graça a PrazeresMetrô Martim Moniz, Linha Verde
Dia 4

Sintra: Pena, Castelo dos Mouros e Regaleira

Dia inteiro fora de Lisboa, e o único que depende de relógio alheio. Comboio da Linha de Sintra a partir do Rossio, 38 a 43 minutos, com partidas a cada 20 a 30 minutos. Da estação, o autocarro 434, o “Circuito da Pena”, faz Estação → Palácio Nacional de Sintra → Castelo dos Mouros → Pena → Biester: bilhete diário de € 13,50, cerca de € 10,96 comprando online, válido 24 horas em sistema hop-on hop-off e cobrindo também o circuito 435. De carro, esqueça — a própria Parques de Sintra afirma que o acesso ao castelo e à Pena é impossível para veículos privados. Marque a Pena para a primeira hora, porque é o bilhete sem tolerância; € 20, palácio das 9h30 às 18h30. Siga a pé para o Castelo dos Mouros, vizinho imediato, € 12 — e aqui está a vantagem decisiva dele: não tem hora marcada, o que faz dele o plano B perfeito num dia em que a Pena esgotou. A bilheteira fecha das 12h às 13h, com venda automática. À tarde desça de 435 até a Quinta da Regaleira, € 20, última entrada às 17h30 — e ela concede uma hora de tolerância de atraso, contra zero na Pena. Palácio e capela fecham 30 minutos antes dos jardins. Se preferir descer a pé, a Parques de Sintra publica os tempos: 30 minutos pela Vila Sassetti, que é gratuita.

Palácio Nacional da Pena · € 20, hora marcada sem tolerânciaCastelo dos Mouros · € 12, sem hora marcadaQuinta da Regaleira · € 20, tolerância de 1 horaAutocarro 434 e 435 · € 13,50 o diaComboio do Rossio · 38 a 43 minutosVila Sassetti · grátis, 30 min de descida
Dia 5

Cascais e o Cabo da Roca, o ponto mais ocidental

Comboio da Linha de Cascais, saindo do Cais do Sodré, 38 a 42 minutos, partidas a cada 20 a 30 minutos; o ida e volta Lisboa–Cascais está confirmado no tarifário oficial a € 2,90. O terminal rodoviário de Cascais fica colado à estação, e é dali que sai o autocarro 1624 para o Cabo da Roca, cerca de 35 minutos. Duas armadilhas de informação desatualizada: o autocarro 403 não existe mais, foi extinto em 2023 e continua em guia por aí; e a linha 1623 não para no Cabo da Roca. Vindo de Sintra, a linha é a 1253, cerca de 45 minutos — o que também permite encaixar este dia colado ao de Sintra. O cabo é promontório de acesso livre, sem portão e sem bilhete. O que se paga é o farol, € 5, aberto à visitação desde julho de 2026: fecha às 17h30, com última entrada às 17h. E aqui há um encaixe de horário que vale a viagem: o farol fecha às 17h30, mas o posto de turismo que emite o certificado de ponto mais ocidental da Europa fica aberto até as 19h30 de maio a setembro, e até as 18h30 no resto do ano. Chegue antes das 17h e você faz as duas coisas. Sobrando tempo, a Praia do Guincho fica no eixo de volta para Cascais.

Cabo da Roca · grátis, sem portãoFarol do Cabo da Roca · € 5, fecha 17h30Posto de turismo e certificado · até 19h30 no verãoCascais · comboio do Cais do Sodré, € 2,90 ida e voltaAutocarro 1624 de Cascais · 35 minutos
Dia 6

Gulbenkian e Parque das Nações — em qualquer dia menos terça

Último dia, e ele mora inteiro em duas estações de metrô. Comece no Museu Calouste Gulbenkian, € 16, em São Sebastião — estação de interface entre a Linha Azul e a Vermelha. O museu reabriu em julho de 2026 depois de quinze meses fechado, abre de 10h às 18h nos dias úteis e até as 21h aos sábados, com última entrada 30 minutos antes. Fecha às terças, e é por isso que este dia não pode ser terça. O jardim da Fundação é de entrada livre, do nascer ao pôr do sol, e vale a caminhada mesmo se você não entrar nas galerias. Depois pegue a Linha Vermelha direto até Oriente, sem baldeação, para o Oceanário de Lisboa. O bilhete começa em € 25 e vai a € 29 conforme a faixa horária, com hora marcada — chegar fora da sua faixa é problema. O próprio Oceanário estima 1h30 a 2h de visita, e a última entrada é às 19h, não às 20h: entrar no limite significa visita apertada até o fecho. Ele abre todos os dias do ano, sem feriado de encerramento, o que faz dele o plano B de qualquer dia em que o resto de Lisboa esteja fechado. No mesmo passeio ribeirinho ficam o Pavilhão do Conhecimento, o teleférico do Parque das Nações e a Torre Vasco da Gama.

Museu Calouste Gulbenkian · € 16, fecha terçaJardim da Fundação · grátis, todos os diasOceanário de Lisboa · € 25 a € 29, última entrada 19hParque das Nações · passeio ribeirinho grátisMetrô São Sebastião e Oriente, Linha Vermelha

Apuração de 13 de setembro de 2026, a mesma das fichas dos dezesseis pontos. Fontes oficiais: Museus e Monumentos de Portugal para o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém e o Museu Nacional dos Coches; EGEAC e o site próprio do Padrão dos Descobrimentos; site oficial do Castelo de São Jorge; Fundação Calouste Gulbenkian; Oceanário de Lisboa; Parques de Sintra para a Pena e o Castelo dos Mouros; Cultursintra para a Quinta da Regaleira; Carris e Metropolitano de Lisboa para tarifas, estações e a alteração do elétrico 28; e CP — Comboios de Portugal para as linhas de Sintra e de Cascais. Os horários de fechamento citados são os publicados por cada ponto na data da apuração — confirme antes de sair, porque horário de monumento muda sem aviso e Lisboa teve três mudanças estruturais em dezoito meses: os ascensores parados, a Torre de Belém com sistema novo e o 28 cortado. Onde a fonte oficial não publica tempo de caminhada, distância, preço ou calendário, a página diz que não publica em vez de estimar — é o caso do preço do Arco da Rua Augusta e da tarifa do comboio até Sintra.